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Radiação solar e lesões na pele
30/09/2008 - http://www.manualmerck.net/ - Manual Merk
Radiação solar e lesões na pele

A pele protege o resto do corpo dos raios solares (uma fonte de radiação ultravioleta [UV] que pode danificar as células). Uma sobreexposição ao sol, mesmo que seja breve, provoca queimaduras. Depois de uma prolongada exposição à luz solar, a parte mais externa da pele (epiderme) torna-se mais grossa e as células cutâneas produtoras de pigmento (melanócitos) aumentam a produção do mesmo (melanina), o qual confere à pele a sua cor. A melanina, uma substância protectora natural, absorve a energia dos raios ultravioleta e evita que estes penetrem mais profundamente nos tecidos.

A sensibilidade à luz solar varia conforme a origem, a exposição prévia e a cor da pele, mas toda a gente é vulnerável em determinado grau. Como as pessoas com pele escura têm mais melanina, são mais resistentes aos efeitos negativos do sol, tais como queimaduras, envelhecimento cutâneo prematuro e cancro da pele. Os albinos não têm melanina na sua pele; como consequência, não se bronzeiam e até se queimam gravemente com uma breve exposição ao sol. Os albinos, a não ser que se protejam do sol, desenvolvem cancros da pele ainda muito novos. As pessoas com vitíligo têm zonas da pele sem melanina e por conseguinte podem sofrer queimaduras solares graves.

Queimaduras solares

As queimaduras solares são provocadas por uma sobreexposição aos raios ultravioleta B (UVB). Conforme o tipo de pigmento cutâneo que o indivíduo tenha e do tempo de exposição ao sol, a pele fica vermelha, inflamada e dorida entre uma hora e um dia depois da exposição. Posteriormente, podem-se formar bolhas e a pele descama. Algumas pessoas queimadas pelo sol têm febre, calafrios e perda de forças, e as que tiverem sofrido queimaduras realmente graves podem até entrar em choque (hipotensão arterial, esvaimento e profunda astenia).

Prevenção

A melhor maneira (e a mais óbvia) de evitar o dano que o sol pode causar é não se expor à sua radiação intensa e directa. As peças de vestuário e os óculos de vidro vulgar evitam praticamente todos os raios nocivos. A água não é um bom filtro de raios UV. Os raios UVA e UVB podem atravessar quase 35 cm de água transparente, como o pode sentir quem nadar perto da superfície e quem caminhar descalço à beira-mar. Nem as nuvens nem o nevoeiro são bons filtros para os raios UV; qualquer pessoa pode sofrer queimaduras solares num dia encoberto ou com nevoeiro. A neve, a água e a areia reflectem a luz solar e ampliam a exposição da pele aos raios UV.

Antes de uma exposição à luz solar intensa e directa, uma pessoa deverá aplicar um filtro solar, ou seja, uma pomada ou um creme com substâncias químicas que protejam a pele ao repelir os raios UVA e UVB. Muitos filtros solares são também impermeáveis ou mesmo resistentes à água. Um tipo comum e eficaz de filtro solar contém ácido paraaminobenzóico (PABA). Como requer 30 a 45 minutos para se fixar fortemente à pele, nadar ou suar imediatamente após a aplicação do PABA elimina-o da pele. Por vezes, os filtros solares que contêm PABA irritam a pele e podem provocar reacções alérgicas em algumas pessoas.

Outro tipo de filtro solar contém uma substância química chamada benzofenona. Muitos protectores solares contêm tanto PABA como benzofenona ou outros produtos químicos. Estas combinações proporcionam protecção face a um amplo espectro de raios UV. Outros filtros solares contêm barreiras físicas como o óxido de zinco ou o dióxido de titânio; estes unguentos brancos e espessos evitam que o sol alcance a pele e podem ser utilizados em zonas pequenas e sensíveis, como o nariz e os lábios. As pessoas preocupadas com o seu aspecto podem corar estes unguentos com substâncias cosméticas para que tenham a mesma cor da sua pele.

Em geral, os filtros solares classificam-se em graus, conforme o seu número de factor de protecção solar (FPS): quanto maior é o número de FPS, maior é a protecção. Os filtros solares com um factor de protecção maior ou igual a 15 bloqueiam a maior parte da radiação UV, mas nenhum filtro transparente impede o acesso a todos os raios UV. Habitualmente, os filtros solares têm tendência para bloquear apenas os raios UVB, mas os raios UVA também podem danificar a pele. Alguns filtros solares que apareceram recentemente são um pouco mais eficazes para bloquear os raios UVA.

Tratamento

O primeiro ardor ou vermelhidão indica que se tem de abandonar rapidamente a exposição ao sol. As compressas molhadas com água fria da torneira podem aliviar as zonas avermelhadas, tal como as loções ou os unguentos sem anestésicos nem perfumes que podem irritar ou sensibilizar a pele. Os comprimidos de corticosteróides podem ajudar a aliviar a inflamação e a dor durante algumas horas.

A pele queimada pelo sol começa a curar por si só uns dias depois, mas a cura completa pode levar semanas. As pernas na sua parte inferior, particularmente as canelas, têm tendência para serem particularmente incómodas quando se queimam pelo sol e, além disso, a sua cura é lenta. As superfícies cutâneas que raramente se expõem ao sol podem sofrer queimaduras graves porque contêm pouco pigmento. Estas superfícies são as zonas da pele normalmente cobertas pelo fato de banho, o peito do pé e a zona do pulso que normalmente está protegida pelo relógio.

A pele danificada pelo sol representa uma barreira insuficiente contra a infecção e, se esta se verificar, pode atrasar a cura. O médico pode determinar a gravidade de uma infecção e prescrever antibióticos se for necessário.

Quando a pele queimada cai, as novas camadas expostas ao sol são finas e muito sensíveis à sua radiação. Estas zonas podem-se manter extremamente sensíveis durante várias semanas.
Efeitos a longo prazo da radiação solar

Muitos anos de exposição aos raios solares envelhecem a pele, mas a exposição antes dos 18 anos de idade é provavelmente a etapa mais prejudicial. Embora a pele dos indivíduos ruivos seja muito mais vulnerável, se se verificar uma exposição suficiente a pele de qualquer indivíduo modifica-se.

O dano provocado nas camadas mais profundas da pele provoca rugas e uma coloração amarelada. A radiação solar também torna a pele mais fina e pode induzir o aparecimento de formações pré-cancerosas (queratose actínica, queratose solar). Estas formações são áreas laminadas e descamativas que não curam; podem também ser duras e adquirir uma cor cinzenta ou até mais escura. Os indivíduos expostos durante muito tempo ao sol correm maior risco de contrair cancros da pele, como o carcinoma de células escamosas, o carcinoma basocelular e, em certo grau, o melanoma maligno.
Perigos da radiação solar inadvertida

O sol irradia energia de diferentes comprimentos de onda; por exemplo, a luz amarela tem um maior comprimento de onda que a luz azul. Os comprimentos de onda da radiação ultravioleta (UV) são mais curtos que os da luz visível e podem danificar o tecido vivo. Felizmente, o ozone das camadas mais altas da atmosfera terrestre filtra os comprimentos de onda mais prejudiciais dos raios UV, mas parte dessa luz UV, principalmente a que se inclui nas faixas de comprimento de onda A (UVA) e B (UVB), chegam à Terra e podem danificar a pele.
As características e a quantidade de radiação UV variam conforme a estação, o clima e a localização geográfica. Devido à inclinação com que os raios solares atravessam a atmosfera nas diferentes horas do dia nas zonas temperadas, a exposição ao sol torna-se menos prejudicial antes das 10 da manhã e depois das 3 da tarde. O risco de lesões é maior a grandes altitudes, onde a atmosfera protectora é mais delgada.
Outra observação: a quantidade de radiação UV que chega à superfície da Terra é cada vez maior, especialmente nas latitudes do norte. Tal deve-se ao facto de as reacções químicas entre o ozone e os clorofluorocarbonos (substâncias químicas presentes nos frigoríficos e nos aerossóis) estarem a destruir a camada protectora de ozone, criando uma atmosfera mais delgada e que apresenta alguns orifícios.

Tratamento

A chave do tratamento é evitar a exposição ao sol. Em qualquer caso, as lesões já manifestadas são irreversíveis. Os cremes hidratantes e a maquilhagem ajudam a camuflar as rugas. Em certos casos utilizam-se substâncias químicas que favorecem a descamação, como os ácidos alfa hidroxi e a tretinoína para tentar melhorar as lesões crónicas, especialmente as rugas muito finas e a pigmentação irregular. Embora os efeitos benéficos destes tratamentos já tenham sido demonstrados, existem poucas provas convincentes de que as rugas profundas possam desaparecer permanentemente ou de que a lesão da pele possa regredir.

As formações pré-cancerosas podem degenerar em cancro da pele. As queratoses solar ou actínica podem ser eliminadas por meio de congelação com azoto líquido; no entanto, se uma pessoa apresenta muitas lesões, pode ser aplicado um líquido ou um unguento com fluorouracilo. Muitas vezes, durante este tratamento o aspecto da pele pode piorar porque o fluorouracilo provoca vermelhidão, descamação e queimadura das zonas de queratose e da pele circundante que está danificada pelo sol.
Perigos da radiação solar inadvertida

O sol irradia energia de diferentes comprimentos de onda; por exemplo, a luz amarela tem um maior comprimento de onda que a luz azul. Os comprimentos de onda da radiação ultravioleta (UV) são mais curtos que os da luz visível e podem danificar o tecido vivo. Felizmente, o ozone das camadas mais altas da atmosfera terrestre filtra os comprimentos de onda mais prejudiciais dos raios UV, mas parte dessa luz UV, principalmente a que se inclui nas faixas de comprimento de onda A (UVA) e B (UVB), chegam à Terra e podem danificar a pele.
As características e a quantidade de radiação UV variam conforme a estação, o clima e a localização geográfica. Devido à inclinação com que os raios solares atravessam a atmosfera nas diferentes horas do dia nas zonas temperadas, a exposição ao sol torna-se menos prejudicial antes das 10 da manhã e depois das 3 da tarde. O risco de lesões é maior a grandes altitudes, onde a atmosfera protectora é mais delgada.
Outra observação: a quantidade de radiação UV que chega à superfície da Terra é cada vez maior, especialmente nas latitudes do norte. Tal deve-se ao facto de as reacções químicas entre o ozone e os clorofluorocarbonos (substâncias químicas presentes nos frigoríficos e nos aerossóis) estarem a destruir a camada protectora de ozone, criando uma atmosfera mais delgada e que apresenta alguns orifícios.

Tratamento

A chave do tratamento é evitar a exposição ao sol. Em qualquer caso, as lesões já manifestadas são irreversíveis. Os cremes hidratantes e a maquilhagem ajudam a camuflar as rugas. Em certos casos utilizam-se substâncias químicas que favorecem a descamação, como os ácidos alfa hidroxi e a tretinoína para tentar melhorar as lesões crónicas, especialmente as rugas muito finas e a pigmentação irregular. Embora os efeitos benéficos destes tratamentos já tenham sido demonstrados, existem poucas provas convincentes de que as rugas profundas possam desaparecer permanentemente ou de que a lesão da pele possa regredir.

As formações pré-cancerosas podem degenerar em cancro da pele. As queratoses solar ou actínica podem ser eliminadas por meio de congelação com azoto líquido; no entanto, se uma pessoa apresenta muitas lesões, pode ser aplicado um líquido ou um unguento com fluorouracilo. Muitas vezes, durante este tratamento o aspecto da pele pode piorar porque o fluorouracilo provoca vermelhidão, descamação e queimadura das zonas de queratose e da pele circundante que está danificada pelo sol.

Reacções de fotossensibilidade da pele

Embora as queimaduras e outras lesões solares tardem a aparecer, algumas pessoas apresentam certas reacções inabituais, inclusivamente apenas uns minutos depois da exposição ao sol. Estas reacções são vermelhidão, descamação, urticária, bolhas e formação de placas espessadas e descamativas. Diversos factores podem contribuir para o aparecimento desta sensibilidade ao sol (fotossensibilidade).

A causa mais frequente é o uso de certos fármacos, como alguns antibóticos, diuréticos e agentes antifúngicos. As reacções de fotossensibilidade também se podem dever a sabões, a perfumes, como as águas-de-colónia que contêm essências (especialmente as que contêm bergamota e cheiram a menta ou a limão), ao coltar utilizado para tratar a caspa e os eczemas e a substâncias que se encontram em certas plantas herbáceas, como o céspede e a salsa. Certas doenças, como o lúpus eritematoso sistémico e a porfiria, também podem favorecer as reacções de fotossensibilidade.

Algumas reacções à luz (erupções polimorfas) parecem não ter relação alguma com doenças nem com fármacos. Em algumas pessoas, até uma breve exposição ao sol provoca urticária (placas vermelhas e salientes) ou eritema multiforme nas zonas expostas ao sol. As reacções cutâneas à luz são mais frequentes nas pessoas de climas temperados, no momento em que se expõem intensamente ao sol pela primeira vez durante a Primavera ou o Verão. Estas reacções são muito raras nas pessoas expostas ao sol durante todo o ano.

Prevenção e tratamento

A extrema sensibilidade à luz solar obriga a usar roupa protectora, evitar o sol o mais possível e usar filtros solares. Uma procura meticulosa de alguma doença, a ingestão de fármacos por via oral ou a presença de substâncias aplicadas na pele (como fármacos ou cosméticos) podem ajudar o médico a determinar a causa da fotossensibilidade. No entanto, acertar na causa torna-se uma tarefa difícil e, às vezes, impossível.

Por vezes, o tratamento prolongado com hidroxicloroquina pode evitar as reacções de fotossensibilidade e com frequência os corticosteróides orais podem acelerar a cura de tais reacções. Em certos tipos de fotossensibilidade, o tratamento pode consistir em ministrar psoralenes (fármacos que sensibilizam a pele à luz solar) e expô-la posteriormente aos raios UVA. As pessoas com lúpus eritematoso sistémico não toleraram este tratamento.

É saudável bronzear-se?

Numa palavra: não. Embora o bronzeado costume ser considerado um sinal de boa saúde e de uma vida activa e atlética, realmente constitui em si mesmo um perigo para a saúde. Qualquer exposição à luz ultravioleta A ou B pode alterar ou danificar a pele. A exposição prolongada à luz solar natural ou à artificial que se usa nos centros de bronzeamento podem provocar lesões crónicas na pele. Simplesmente, não existe um «bronzeado seguro».
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